Instinto médico

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Certas características são intrínsecas de médicos. Quer dizer, aqueles que nasceram pra ser médio, e não aqueles que estão na medicina por outro motivo.  E essas características se manifestam não só no cotidiano de trabalho como também nas horas em que não se está trabalhando. Como eu disse é intrínseco, portanto se manifestam em qualquer hora.

A primeira característica que ressalto é o fato de o médico estar pronto pra socorrer qualquer pessoa quando há uma situação de perigo, como por exemplo, acidentes de transito, ataques cardíacos, engasgos ou até torções de tornozelo. Não importa se o medico tirou aquele dia de folga com a família e está em um clube ou passeando em um shopping, etc, etc. O fato é que quando um médico vê que alguém precisa dele ( não exatamente dele, e sim de seus conhecimentos), não nega socorro. Isso ta no espírito do médico.

A segunda coisa que eu ressalto é que médico odeia errar (e também sentem dificuldades em assumir o erro) mas, se erram ele sente culpa por isso, mesmo que nunca diga isso pra ninguém. Essas características estão na personalidade, então não me refiro apenas aos erros cometidos na profissão, mas sim na vida pessoal também. Além de odiar errar, o médico odeia quando percebe que não pode fazer nada mais por uma pessoa. O medico odeia sentir que está de mãos atadas diante do quadro clinico de um paciente, e odeia pensar que a medicina não possui ainda recursos para curar-lo. Um exemplo é o câncer. Mais um pouco e a medicina terá meios mais eficientes para lidar com a doença e assim salvar mais vidas.

Médico odeia perder pacientes, mas precisa se lembrar também que a morte não depende dele. E quando Deus chama, nem o procedimento mais eficiente é capaz de manter a vida. Também existe casos de milagres, muitos até inexplicáveis, no qual as chances seriam ínfimas, porém aquela pessoa tinha que viver ainda...

Também dizem que médicos são metidos e acham que são sempre certo. São também, mas isso não significa que sejam os únicos com defeitos. Os psicólogos julgam saber tudo sobre você, os engenheiros racionais e precisos, dentre outros.

Não é difícil encontrar no cinema personagens médicos e é possível notar até neles, que são meras representações, essas características. Como exemplo posso citar Jack do seriado lost. Durante o desenrolar da trama, o personagem cuida dos sobreviventes do mesmo vôo em que estava e que caiu em uma ilha. O medico, trata desde quedas de precipício, até asma e dor de cabeça causada por falta de óculos. Um dos episódios mais marcantes, e que aconselho a verem, da serie é “ Do no harm”  (episodio 20 da primeira temporada) e também “ Man of Science, Man of Faith” ( primeiro episodio da segunda temporada). Nestes capítulos o enfoque dos flashback é em Jack, e mostra ele como medico antes da queda do avião, assim como também demonstra os procedimentos criativos que teve de usar para salvar a vida dos que corriam perigo na ilha.

A dica está dada, e para entender o que um médico sente, só mesmo sendo médico.

Joice.

Email para contato: joicinhahp@yaho.com.br

sábado 08 agosto 2009 20:18


Transplante

Blog de medicinananet :Medicina na net!             nosso cantinho na net pra discutir sobre o curso., Transplante

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Na sala 11 do centro cirúrgico do Instituto do Coração de São Paulo, nove profissionais entre médicos, enfermeiras e instrumentistas, então prontos para a realização de mais um transplante cardíaco. Há pelo menos uma e meia, o paciente está na mesa de operação, o tórax escancarado por espátulas de metal, já sem seu próprio coração, a circulação sanguínea a cargo de uma maquina pesadona, colocada ao lado. O cirurgião Ronaldo Honorato Santos entra apressado. Nas mãos um pote branco. Dentro dele o coração do doador – extraído uma hora antes do corpo de um rapaz morto em um acidente de carro no interior paulista. Mergulhado em compostos de preservação, em baixa temperatura, o coração pálido e murcho é retirado do recipiente e entregue ao médico Alberto Fiorelli, cirurgião responsável pela operação. O transplante começa Fiorelli ajusta o tamanho dos vasos sanguíneos do coração doador às medidas do receptor e acomoda o órgão no peito do paciente. As vozes dos médicos misturam-se às conversas vindas do corredor. Frequentemente um celular toca. Algumas ligações são atendidas, outras ignoradas.

Quase duas horas depois do inicio da cirurgia , 70% dos vasos sanguíneos do novo coração já estão conectados aos do paciente.   Agora, o silêncio toma conta da sala. Pela primeira vez, os cirurgiões Fiorelli e Honorato colocam os bisturis e tesouras de lado. Seus olhos estão fixos no novo coração, ainda apagado no peito do doente. É o momento mais angustiante de um transplante: a espera que um órgão doado volta a funcionar no corpo do receptor. Cerca de um minuto se passa e nada. Fiorelli começa a massagear o novo coração com as mãos. Aos poucos o órgão perde a palidez e ganha volume. É sinal de que o sangue circula por ele. O cirurgião rompe o silencio com uma ordem:

- Adrenalina.

Uma enfermeira lhe entrega uma seringa e ele injeta o medicamento em uma veia logo acima do músculo cardíaco. Três minutos depois o coração finalmente começa a bater. Seu ritmo ainda é descompassado. Para regula-lo, os médicos aplicam choques elétricos por meio de um desfibrilador. Só depois de normalizados os batimentos é que se coneta o restante dos vasos sanguíneos.

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Revista Veja; Ediçao 2107; ano 42- n° 14

terça 21 abril 2009 20:01


Dificuldades dos (futuros) médicos

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Não é novidade que os estudantes de medicina e vestibulandos ao curso são “perseguidos”. Essa área é muito bem vista, por isso existe uma cobrança muito grande. Para os estudantes a cobrança é a um trabalho bem feito, sem erros ( que realmente podem ser fatal), mas as pessoas esquecem que também somos humanos e nos tratam como se não tivéssemos sentimentos e falhas como eles. Médico também se cansa, médico também sente tristeza, médico também fica doente. No entanto, as pessoas continuam a agir como se fossemos de ferro.

A “perseguição” dos vestibulandos acontece em diversas áreas. Não se pode descansar um dia que alguém diz que não nos dedicamos. Outras vezes somos atacados por pessoas que nos julgam não capazes para ser médico (a). Vivo isso na minha própria família. Alguns dizem que não tenho paciência suficiente, outros que não têm espírito de caridade para ser médica. Mas quem realmente sabe se vou poder ser uma boa profissional sou eu ( e isso não é diferente com você). Eu que sei o quanto gosto de medicina e o quanto estou disposta a enfrentar as dificuldades para ser médica. O que as pessoas dizem, não importam, o que vale é o EU sei. Sempre encontramos alguém no nosso caminho pra desanimar e poucos para ajudar. Mas cabe a nós decidir se vamos escutá-los ou escutar a nós mesmos. Tenho passado constantemente por esses “ testes” dentro da minha própria casa. Creio que todos nós, que estamos no mesmo caminho, passamos por isso. E depois que vencemos o vestibular ainda escutamos “ você não vai dar conta do curso”. Bom, se muitos conseguiram, porque não eu?

Ou também “a pratica é diferente da teoria, você vai se decepcionar”.

Sempre tem “uns amebas” – me desculpem a expressão-  pra dizerem isso rsrss

Se me decepcionar é porque eu mesma vi, com meus próprios olhos, que não era o que imaginava, e não foi pelos olhos de outra pessoa que não entende. Mas também há  a possibilidade de apaixonar mais ainda pelo curso, o que acontece na maioria dos casos.

 

Não se esqueça que na faculdade também terá muitas dificuldades, assim como foi no período do vestibular. E não serão diferentes, as dificuldades depois de formado.

 

ps: esse post foi um desabafo.

quarta 28 janeiro 2009 15:15


O médico e o cadáver.

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Até entrar na faculdade de medicina eu nunca tinha visto um morto. E eu não era exceção; o mesmo acontecia com muitos de nossos colegas, e em sua maioria jovens de classe média que não gostavam, por exemplo, de ir a velórios. De qualquer modo, tínhamos um encontro marcado com o morto e sabíamos disso. Aconteceu mais cedo do que imaginávamos; depois de algumas aulas teóricas de anatomia o professor anunciou que havia chegado o momento de “ ver a coisa na prática”. Descemos ao necrotério que funcionava no subsolo da faculdade; As grandes portas se abriram e ali, sobre umas 20 mesas de alumínio estavam os cadáveres, conservados em formol ( o cheiro era insuportável), rígidos. Visão espantosa, surrealista mesmo, que teria repercussões emocionais. Não foram poucos aqueles que, entre nós, passaram mal. Alguns não conseguiam comer,  outros não conseguiam dormi. Por fim, acabamos nos acostumando. Muitas vezes conversamos sobre futebol, cinema ou política, debruçados sobre o tórax do nosso cadáver.

Este processo faz parte da dessensibilização do médico, que, diante da doença e da morte, tem de manter certo distanciamento, essencial para o raciocínio equilibrado e isento.  Quando esse distanciamento é excessivo, contudo, a prática da medicina acaba sendo prejudicada. Atendido por profissionais frios, distantes ( ainda que corteses), o enfermo se ressente, e isto não raro se reflete na evolução desfavorável de sua enfermidade.

(...) Drauzio Varella vai mais longe: está interessado na doença como parte da historia de vida. E tem razão: em face do sofrimento, em face de um prognóstico sombrio, caem todas as máscaras e as pessoas se revelam exatamente como são.

 

Drauzio Varella na reportagem em Viver mente&cérebro, numero 145.


post por Joice

sábado 06 dezembro 2008 17:12


Direito de resposta

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Esclarecendo o mal entendido que ocorreu no post anterior no qual uma pessoa me acusou injustamente de “ fake”.

 Fiquei muito decepcionada ao ver que pessoas acusam outras sem ter certeza do que estão falando, fato que não deveria ter me assustado, já que é comum as pessoas indicarem nas outras somente os defeitos. É difícil para o ser humano reconhecer o mérito de outras sem  fazer criticas.

 

 

O acontecido é que, postei aqui um texto que um amigo meu, estudante de medicina,  escreveu baseado no livro do seriado Grey's Anatomy. Como diz suas próprias palavras -que podem ser conferida nos comentários do post anterior-  “realmente uma parte do texto é do livro do seriado Grey's Anatomy, o que eu simplesmente fiz foi um comentário e uma conclusão sobre o tema”

 

Contudo, como os inteligentes podem perceber, o referido texto publicado neste blog, não é completamente igual ao texto do seriado Grey's Anatomy. Portanto, as acusações de “ fake” que foram atrubuídas a mim, são infundadas. Creio que as pessoas deveriam averiguar corretamente os fatos antes de acusar outras pessoas de atos equivocados.

Peço desculpas por uma distração da minha parte em não dizer a fonte na qual o texto de Guilhermo Jr. foi baseado.

 

Agradeço a todos os que gostaram do texto e que encontraram nele o verdadeiro sentido do que é ser médico. Afinal, o texto repassa muita emoção sobre a profissão e a vida do profissional.

Os comentários me deixam muito feliz, ao saber que estou contribuindo para a divulgação de como é essa profissão.

Aceito dicas, criticas ( desde que sejam válidas) e elogios.

 

Atenciosamente

Joice

sexta 21 novembro 2008 22:02


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